sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Apogeu do Quilombo dos Palmares


* Helcias Pereira

Sabe-se pouco, muito pouco, porém farto o suficiente para expandir consideravelmente o quanto foi rica e dinâmica a história da mais misteriosa e imensurável forma de resistência chamada República Palmarina Quilombola. Certamente ficaram pasmos os senhores da corte com tanta resistência e técnicas de defesa invejáveis, dado à organização dos sublevados. Haveriam de ser impecavelmente organizados e unidos.
O que antes parecera uma simples e indefesa cafua por parte dos senhores de engenho e dos militares da época, o Quilombo dos Palmares passou a ser uma constante dor de cabeça para todos eles, principalmente os governantes que se revezaram por certo impotentes durante um século.
O Quilombo dos Palmares tinha vida própria, munido de regimentos e leis; de culturas e diversidade religiosas, mas, sobretudo, de utopias em busca de dignidade humana, liberdade, justiça e paz.
Seus grandes chefes se valeram de inegáveis inspirações de guerra para manter livre seu povo, articulavam seus postos avançados de inteligência; interagiam juntos a certas pessoas ligadas aos engenhos; infiltravam-se através de seus agentes espiões nas cortes e arraiais e por fim se preparavam para a batalha.  Antes, porém, deslocavam grandes partes de sua população para lugares estratégicos, enquanto seus guerrilheiros preparavam no campo e na mata, diversificadas armadilhas, espalhando fossos repletos de estrepes, camuflagens insuspeitas, entre tantas artimanhas de guerrilha avançada.
Sabiam os mesmos o quanto podiam resistir aos inimigos, que antes de serem surpreendidos, haveriam de ter enfrentado toda falta de sorte, desde os obstáculos naturais da mata repleta de insetos e espinhos às mais íngremes serras cujos caminhos abertos a facões inevitavelmente os levava ao cansaço absoluto, deixando-os inertes e indefesos perante a tática palmarina, por sua vez preparados e acostumados aos ”encantos” da mata inóspita.
É natural querermos dinamizar a história, ao imaginarmos tais performances dos aquilombados.  Igualmente natural é o entendimento que nem tudo fora tranqüilidade no seio palmarino, devido principalmente às diversidades étnico-culturais e a importância da constante preparação dos seus no tocante a defesa militar daquela comunidade.
 Por vezes, vários dos moradores foram punidos inclusive com pena de morte, por infligir certamente aos mandamentos das leis locais, fosse pelo fato de algo material ou qualquer outro tipo de crime que pudesse alterar a vida naquele sistema político.  Foi exatamente por conta da forma organizacional e da extensão do Quilombo que os mocambos elegiam seus respectivos chefes, bem como conselhos e comandos militares, além dos grupos de produção tanto na agricultura quanto nas forjas e espaços artesanais.
Outro fato importante, era a necessidade que tinham, principalmente, os mais jovens em se prepararem fisicamente para a guerra, subtende-se aqui que haveriam de se exercitarem em forma de luta, não obstante, não se pode subestimar a possibilidade de haver, já nesta época, um treinamento que nos levaria na contemporaneidade a nos reportar a atual capoeira ou mais primitivo como a caa-puera do tupi-guarani.
Obviamente, pensar no Quilombo dos Palmares não poderia ser diferente de uma sociedade macropolítico-cultural e religiosa onde reinava a liberdade plena e a certeza da unicidade em nome da vida e da dignidade de um povo. Suas lideranças ainda que sistematicamente “monárquicas” visto que Ganga-Zumba era tratado com pompas de Rei, vivenciaram igualmente a realidade de um Estado independente, cujas características republicanas eram absolvidas por um socialismo real e, sobretudo, estrategicamente “poliândrico” onde suas poucas mulheres conviviam maritalmente com até cinco homens ou mais, para não haver disputas internas pelas poucas “fêmeas” presentes nos mocambos.
Aliás, as mulheres quilombolas palmarinas eram observadas como quem “tinham o comportamento leve de uma lebre e o olhar penetrante de uma tigresa’. As mesmas, alem de conviverem e parirem de seus companheiros, ordenavam na casa, cuidavam da roça e ainda se vestiam para a guerra.
No mais, a tática de guerrilha implementada pelos quilombolas palmarinos fora indubitavelmente o grito constante para manter viva a chama da utopia e do apogeu da liberdade e da dignidade de todos.
De Ganga-Zumba (chefe-supremo), filho de Aqualtune (a grande comandante) a Zumbi dos Palmares o último comandante-em-chefe, é preciso reconhecer também a importância de outros nomes que juntos e por tanto tempo organizaram e fizeram resistir o Quilombo dos Palmares. Aqui lembro igualmente: Ganga-Muiça (o chefe soberbo), Ganga-Zona (o prudente), Acaíuba (o grande demolidor), Acotirene (a grande leoa), Andalaquituche (aquele que desaparece), Ozenga (o atalho) e ainda, Camuanga, Dambrabanga, Canhongo, Banga, Camuange, Amaro, Sabalangá e Subupira, naturalmente estendendo “in memorian” todos os guerreiros (as) quilombolas que sucumbiram anonimamente em devesa de seu povo, enquanto sujeitos da história.

Axé Povo de Palmares, Axé povo banto e nagô, axé todas as nações afro-ameríndias que constituíram o maior e mais resistente Quilombo do Mundo.
Axé Zumbi dos Palmares Herói Nacional!


Helcias Roberto Paulino Pereira é:
ü  Arte-Educador - Popular
ü  Membro-Diretor do Centro de Cultura e Estudos Étnicos ANAJÔ
ü  Membro da Coordenação Nacional dos APNs do Brasil
ü  Mobilizador Social do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu
ü  Homenageado: Comenda Dandara (11/11/2010) Câmara Municipal de Maceió.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

ORAÇÃO DO CAPOEIRA

Oração da Capoeira

Quando jogo capoeira meu corpo ora...
E no passo de cada ginga
Dissimulo e descubro meu artista interior, meu espírito
Engaiolado num corpo flexível,
Leve como o ar,
Veloz como um raio
Audaz como um felino.

Quando oro

Busco no além, forças em meu Deus
Que me guia em cada roda
Que me livra em cada esquiva
Que me faz cantar com o coração
E me faz transpirar, como as lágrimas.

Quando jogo
No meu peito está contida a oração
Pelo perdão, pela falsidade,
Lembro-me do negro
do branco
do mulato
Lembro-me da dor e da solidão
Do amor que tenho por ti, Capoeira.

Quando oro
No templo maior, meu corpo
Sinto as lembranças e as veias rígidas de uma juventude sofrida
Que, com mãos cálidas, aprendeu
A meia-lua e o aú
E, com olhar de sonhador
Lançar para o infinito.
Amém

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Capoeira Angola: Possíveis Origens



Introdução
Após mais de quatrocentos anos de perseguição e proibições, o jogo da capoeira angola chega aos nossos dias, com um conteúdo artístico, filosófico, cultural e social, que o tornam uma das mais importantes manifestações de nosso povo, sendo conhecido e 

praticado em todo o mundo.
Capoeira Angola
É uma arte que integra corpo, mente e espírito, a sua prática é realizada em grupo e está presente numa roda de capoeira angola um conjunto de expressões que incluem luta, dança, ancestralidade, música, teatro, filosofia, espiritualidade, brincadeira e jogo.
A capoeira angola preserva uma série de valores tradicionais africanos, que orientam o comportamento das pessoas participantes, tanto individuais como coletivamente, fortificando a identidade e a responsabilidade de cada um com o papel de resistência, libertação e transformação social que fazem parte dos princípios formadores desta arte.

Origens da Capoeira Angola
O tráfico de escravos através do Atlântico foi um dos grandes empreendimentos comerciais e culturais que marcaram a formação do mundo moderno e a criação de um sistema econômico mundial (início da globalização). A participação brasileira nesta trágica aventura é estimada em 40% dos 15 milhões ou mais de homens e mulheres arrancados de suas terras.
Pouco pode se afirmar à cerca da origem da capoeira, devido à falta de documentação. Porém, tudo começa na mãe África, continente originário dos primeiros homens que se espalharam pelo mundo, gerando todos os povos. Através da tradição oral e de raros registros, sabe-se que foram os africanos escravizados, aqui no Brasil, que desenvolveram essa arte e algumas versões são normalmente bastante aceitas no meio capoeirístico.


Acredita-se “ser a Capoeira de origem africana, mais precisamente da Ilha de Lubango, na aldeia dos MUCOPES, localizada no sul de Angola. (...) Na época do acasalamento das zebras, os machos, a fim de ganharem a atenção das fêmeas, travavam violento combate. Daí os jovens guerreiros mucopes passarem a imitar alguns passos desse ritual, que denominaram de N’GOLO”.

Os habitantes dessa aldeia realizavam uma vez por ano uma grande festa com o nome de EFUNDULA, ocasião em que as meninas que já tinham atingido a puberdade e, estando assim prontas para o casamento, teriam como marido aquele guerreiro que tivesse a melhor performance na prática do N’GOLO”.

Já na ilha do Cabo existia um ritual, conhecido como “BASSULA”, “(...) onde um derruba o outro através de agarramento, balões, pegar as pernas para derrubar, pescoço, cintura, o objetivo é derrubar o adversário, talvez os golpes de derrubar, de desequilibrar na Capoeira, tenham vindo da Bassula, tem também a ‘kabangula’, que é uma luta de mão, que é um tipo de boxe com as mãos abertas. (...) Tem também o ‘Umundinhu’, que é um ritual, um jogo, que usa as mãos e os pés, e tem também as danças acrobáticas”.

Possivelmente a Capoeira seja a mistura destas culturas, danças guerreirase rituais africanos, adaptadas como luta de libertação ao sistema de escravidão que estavam enfrentando no Brasil.
Já estudos referentes a procedência do nome Capoeira, podem ter duas origens:

Origem rural
A palavra Capoeira é um termo tupi-guarani que dentre tantos significados, quer dizer mato que cresce em cima da vegetação que foi cortada.
Independente disso acredita-se que era nesse tipo de vegetação que o escravizado, burlando a vigilância do feitor, fugia para reviver os folguedos de sua terra natal e dessa forma tentar atenuar o sofrimento da escravidão (prática essa, que por razões obvias era extremamente reprovada e que invariavelmente terminaria em castigo no tronco).

Origem urbana
A palavra capoeira, também pode significar cestos de vime, que na época eram muito utilizados pelos escravizados, no cais do porto, para carregar aves galináceas (capões).Esses carregadores, também chamados de capoeiras, nos seus raros momentos de folga, largavam os seus cestos e se reuniam para, ao som de palmas e cânticos, reviver os folguedos de sua terra natal, assemelhando-se assim à versão anterior.

Ag'ya Danmye Ladja Compilation


Este vídeo mostra uma forma de arte hoje conhecida como a Ladja ou Danmye (anteriormente intitulada Ag'Ya) da Martinica. Dois combatentes se envolver em um jogo de agilidade habilidade truques e acrobacias. Na cabeça dos músicos círculo controlar o ritmo do canto da competição, tocar bateria e, possivelmente, outros instrumentos de origem Africano (é difícil de ver). Isso poderia distante Caribe lookalike ser uma longa perdeu primo capoeira? Será que isso nos oferecer pistas sobre as origens Africano da Capoeira? A semelhança é impressionante, mas nada!
As imagens de vídeo neste clip foi compilado a partir do Katherine Dunham coleção da Biblioteca do Congresso. Katherine Dunham, que faleceu em Maio de 2006, era um dançarino, coreógrafo e pesquisador - uma mãe fundadora da dança Africano na cultura popular americana. Ela se deparou com o Ag'Ya durante uma expedição de campo para o Caribe e inspirou a criar um espectáculo de dança Ag'Ya volta nos EUA para aclamação popular.
Como em todas as manifestações culturais de música ascendência Africano, música, dança e espiritualidade formam um todo unificado. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de gravação de vídeo em 1936. Portanto, eu super-imposta, ainda que artificialmente, Ladja autêntica música (Danyme), tomada a partir de 1962, Alan Lomax do Caribe Voyages em imagens Dunham. Alan Lomax era um etnomusicólogo pré-eminente e muito amado americano que viajou o mundo das fábricas das ilhas escocesas para o Extremo Oriente na sua missão de gravar os sons da vida.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

SARAVÁ BENGOLA


(Saravá Bengola!)

Manaus-AM ,2010
Verão
Egolatria? Esquizofrenia? Ou um esvaziamento coletivo?
“Na Banguela não pode bater, na Iuna não pode cantar...”. Salve, salve mestre Bimba, o rei, o onipresente, onipotente, pai de todos nós.
Onde vai parar a Capoeira? Pois nos dias de hoje ela já está nos quatro cantos do mundo: escolas, universidades, projetos sociais, nas ruas, nas academias, e rumo às olimpíadas. A capoeira nasceu com ânsia de liberdade, uma luta, uma resistência, que figura na história do povo brasileiro. Mas, nessa pós-modernidade e neste consumismo selvagem e alienante, muitas tradições se perderam e os fundamentos estão sendo jogados ao vento, por muitos “mestres” e “entidades representativas”, desta arte afrobrasileira. Onde vamos parar? Na terra do nunca? Na roda do vale tudo? Onde tudo pode, tudo vale. Está virando um samba de crioulo doido.
A capoeira é a arte da gente. É alma do povo brasileiro, é metafísica, é patrimônio cultural e imaterial deste país; ela não pode estar sendo tratada de qualquer jeito, de qualquer maneira, demolindo suas tradições, seus fundamentos e ancestralidades.
Muitos falam que precisam evoluir, que precisam modernizar, mas é claro que sim. No entanto, existe uma diferença muito grande entre crescer e evoluir. Não se sabe, se o crescer é pra baixo, pro lado, crescer a barriga, crescer a bunda, mas evoluir são outros quinhentos meus amigos!
Nesta decadência atual de um esvaziamento coletivo, muitos capoeiristas que não sabem pra onde vão, porque veio e o que estão fazendo. Não sabem o que cantam, o que jogam e o que tocam. Pobres capoeiristas! Estão seguindo uma fila, um “mestre”, uma quimera, uma hierarquização do nada. Quem perde com tudo isso é só a capoeira.

Estamos assistindo uma espetacularização banal de pantomimas e sistematização de golpes vazios, em busca do nada. E muitos falam se o Mestre Bimba estivesse vivo, ele estaria evoluindo. Tenho certeza que o Mestre Bimba não estaria nesse abismo, pois a Luta Regional Baiana, é eficaz, objetiva e existe até hoje, ele é o cara!

Se muitos falam que não é angola e nem regional é um problema de cada um, pois para quem não sabe aonde quer chegar, qualquer lugar serve.

Olhando essa capoeira pós-moderna e fazendo uma análise intrínseca da nossa arte, vejo que muitos capoeiristas estão perdidos, alienados, um mero fantoche, ao bel-prazer de pseudos mestres e instituições. São escravizados e seduzidos por uma ilusão, uma esperança do nada.
Viemos de vários navios, mas estamos no mesmo barco, dizia Martin Luther King. Vamos dar uma rasteira no ego, mestres! Vamos sair da caverna de Platão; vamos matar a egolatria grupal e do umbigo; vamos acabar com os conflitos corporais e vamos jogar na roda das ideias e ações em prol de uma capoeira de verdade, pois só assim seremos unidos e fortes para continuarmos apaixonados e enamorados por essa arte-luta afrobrasileira, guardando os seus fundamentos e tradições.

Precisamos refletir o que queremos deixar para as futuras gerações, pois eu não quero jogar e nem deixar a bengola, “a capoeira do nada”, da bunda no chão, do vazio, sem sentido (a angola da regional moderna).

A capoeira sempre foi e sempre será a arte que liberta das amarras do sistema alienante, não podemos esquecer quem somos e para onde iremos. É preciso ser forte e corajoso, de grande ousadia para poder lançar-se na busca da libertação, do espírito livre, do desprendimento, das coisas impostas verticalmente como verdades absolutas, por falsos mestres e entidades sem compromissos. Estão presos por uma “filosofia barata”, conceitos de ventos, costumes e crenças esquizofrênicas. Vamos acordar! Volte para o corpo, venha para luz!

A capoeira hoje não pode ser levada só pelo um ritmo de “bengola” e esquecer sua verdadeira essência. Onde estão o toque e o jogo de Iúna, Idalina, Amazonas...?

Quando Bimba tocava são bento grande da regional, que era um jogo forte, rápido e duro, depois vinha a banguela, mas hoje é diferente. Qual é o fundamento dessa capoeira de hoje? Joga o quê? Toca o quê? Se eles mesmos falam que não são regional e nem angola, mas tocam Bimba, cantam Bimba, falam de Bimba. É, Bimba ainda é água de beber e inspiração para muitos! Essa capoeira moderna não passa de uma neurose obsessiva, compulsiva e coletiva desta pseudo evolução da capoeira.


A capoeira está há muito tempo em crise, o que queremos mesmo? Graduações de cristais? Grão-mestres de ferro? Sistemas de grupos fechados? Enquanto o mundo está fazendo pontes, eles edificam muros. Penso que estamos perdidos no infinito, doentes e com sede na beira do rio , girando o rio e não conseguimos enxergar o rio. Espero que o atual capoeirista saia da sua armadura de ferro, das suas tensões musculares crônicas, das sombras, desse estado de ilusão.

“O inferno está nos outros...” disse Sartre. A capoeira está em transformação em burilamento, precisamos realmente despertar, fazer uma reflexão sobre o que queremos, o que faremos e para onde iremos? Porque forte mesmo é a capoeira! Verdade mesmo é a capoeira! Pois ela permanecerá e nós passaremos. Temos que seguir adiante olhando para o passado, respeitando as tradições e os fundamentos da capoeira com os pés muito fortes no presente para não perdermos o caminho, a nossa identidade, a nossa essência e os nossos valores e sermos verdadeiros guardiões desta arte-luta afrobrasileira.

Eraldo Gabriel (Mestre Beija-Flor)
mestrebeijaflor@hotmail.com

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Contra Mestre Leto na 4ª Copa Benedito Bentes de Capoeira



Mestre Lásaro e Contra Mestre Leto

Convidados do Evento

Convidados do Evento


Mestre Jorge Ceará, Contra Mestre Leto, Mestre Lásaro, Mestre Paulo Morcego e Mestre Róbsom Mangangá: Arbitros da Competição

Contra Mestre Leto no Festival de Músicas










Contra Mestre Leto e Mestre Chaguinhas

A ORIGEM DA ESPÉCIE HUMANA

SOMOS TODOS AFRICANOS
Hoje praticamente ninguém duvida que nossos antepassados primordiais surgiram na África. Seja você filho de sueco, xavante ou japonês, um seu tata...tataravô nasceu, viveu e morreu no continente africano.
Como sabemos disso?
Há duas linhas mestras de evidência para essa certeza: os fósseis e a genética. Do lado dos paleontólogos, foi observado que em nenhum lugar do mundo foram encontrados fósseis de hominídeos mais antigos que os africanos. Aliás, a variação na idade dos fósseis já encontrados indica o deslocamento do homo desde sua origem na África, passando depois para a Ásia, a Europa, até, finalmente, chegar à América. Os humanos chegaram às Américas quase que ao mesmo tempo que chegaram à Europa. Nem todo mundo aceita essa descrição. Há uma outra versão que afirma que nossos antepassados, os hominídeos que ainda não eram "sapiens", saíram da África há cerca de 1,8 milhão de anos e se espalharam pelo mundo. A partir de então, foram evoluindo, evoluindo, e deram origem, em todos esses lugares, a outras espécies, inclusive nós e os Neandertais. A hipótese ilustrada no mapa acima, chamada de "Saindo da África", sustenta que o homo sapiens surgiu apenas na África, inicialmente, há cerca de 200.000 anos, e depois saiu de lá e se espalhou pelo mundo. Os outros hominídeos que já habitavam esses lugares fora da África, ou já estavam extintos ou se extinguiram depois que os humanos chegaram, por razões que ainda desconhecemos. Essa explicação, devemos dizer, é a mais aceita hoje em dia pelos cientistas que estudam as origens da humanidade. Uma linha de pesquisa que favorece a hipótese "Saindo da África" é a genética. Estudos de DNA de várias populações indicam que todos os seres humanos que habitam a Terra hoje são descendentes de gente que surgiu na África. Calcula-se que um pequeno grupo dessas pessoas - talvez menos de 1000 indivíduos - saiu da África há cerca de 50.000 anos e se espalhou pelos outros continentes.
Como é que os geneticistas sabem disso?
Basicamente, eles comparam o DNA das populações em várias partes do mundo. Usam duas linhas de trabalho: uma estuda o DNA do cromossomo Y (masculino) e a outra se concentra no DNA das mitocôndrias. O cromossomo Y é um cromossomo do sexo que só os homens têm. Cada homem tem dois cromossomos do sexo (os "gonossomos"), um X e outro Y. As mulheres têm dois cromossomos X. O cromossomo Y passa de pai para filho na reprodução. Daí, é possível seguir a seqüência evolutiva da espécie humana examinando o DNA do cromossomo Y de muitos grupos de homens em todo o planeta. A quantidade de variação no cromossomo Y de um grupo humano dá uma indicação razoável do tempo de formação desse grupo. Quanto mais antigo o grupo, mais variado é o DNA do cromossomo Y das pessoas desse grupo. Com essa lógica, o DNA dos índios da América deve ter bem menos variações que o DNA dos europeus, por exemplo. E o DNA dos europeus deve ser menos variado que o DNA dos africanos.Nesse ponto de nosso relato é bom ressaltar que Charles Darwin, em seu livro "Descent of Man" (que poderia muito bem ser "Descent of Woman"), já tinha sugerido que os humanos deveriam ter surgido na África.
África in the World foi criado no dia 02/01/2011 afim de promover integração social e cultural, democraticamente para todas as etnias. Sem racismo, etnismo, sem descriminação de classe, cor, religião e ou preferência sexual. Para fortalecer, promover e exaltar á integração humana, social, entre todos os brasileiros e afrodescendentes no mundo. Ex.: Mulatos: São descendentes de negros e brancos.
Caboclos: São descendentes de índios e brancos.
Cafuzo: São descendentes de índios e negros.
Indígenas: São nativos da região brasileira.
Brancos: São os que apresentam pouca pigmentação de melanina, ou seja, pele clara.
Negros: São os que apresentam grande pigmentação de melanina, ou seja, pele escura.
Existem fatos curiosos acerca da etnia de uma pessoa, pois existem brancos que possuem descendência africana, que se apresenta em determinada parte do corpo ou as vezes nem possui característica nenhuma, mas reconhece com consciência, a história, todo o processo de miscigenação e seus antepassados.
O África in the World, quer atingir este grupo e receber estes membros, que partilham a mesma tese e ideais conscientes, em prol da integração dos povos descendentes da África, no Brasil e no Mundo, fazendo com que o sonho antigo, de união, se torne realidade. Que os filhos e os filhos de seus filhos cresçam sem desigualdade, sem discriminação, sem preconceitos e vivamos-nos-ei em total igualdade e democracia social e etnológica. A Política do África in the World: Todos os membros devem interagir entre si, sem limite de quantidade de amizades (ilimitado). Convide á todos que quiser para ter sua amizade e ser seu seguidor. Restrições do África: É expressamente proibido a participação de menores de dezoito(18) anos, é também expressamente proibido a prática de pedofilia. Foi aprovado o Projeto de Lei 3773/08, que qualifica e determina punição para crimes de pedofilia na Internet.Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. E crimes de quaisquer forma, Lei contra crimes na internet(PLC 89/2003) o uso inadequado resultará na exclusão. No site só é permitido permanência sem fotografia por três(3) meses; ao atingir este limite, três(3) meses, o perfil será excluído do site. Estamos trabalhando para melhor atendê-lo, com diversificação. Passo à passo faremos transformações, melhorias. Estamos crescendo por você e com você. Obrigado. Seja muito bem vindo, ao site de relacionamento: África in the World.
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REINOS AFRICANOS


África Antiga
A região da África Oriental, dos reinos da Núbia, Etiópia e posteriormente Burundi e Uganda, sofreram grande influência religiosa em seu processo de organização cultural e espacial. Conflitos religiosos entre mulçumanos e cristãos foram decisivos para a nova organização desses reinos, a exemplo do Antigo Egito, que teve que se consolidar como Estado mulçumano entre duas potências cristãs – Bizâncio e Dongola. O resultado desses conflitos foi à conquista de Dongola em 1323 pelos mulçumanos, e a tomada gradativa do controle da Núbia em 1504, o que daria um golpe de misericórdia nos reinos cristãos da região. Nos casos da Núbia e da Etiópia, além dos conflitos religiosos existentes, o comércio principalmente com o Egito, foi outra atividade que influenciou diretamente, servindo como estímulo para a criação destes Estados. Esta atividade comercial se dava por rotas que cortavam o deserto do Saara, em caravanas puxadas por cavalos, dificultando o percurso e prejudicando conseqüentemente a atividade comercial, uma vez que o camelo domesticado só foi introduzido no Norte africano no século II da era cristã. Só a partir do domínio mulçumano na região é que as atividades comerciais expandiram-se mais para o sul do continente. Portanto, os conflitos religiosos entre mulçumanos e cristãos, além das atividades comerciais exercidas entre esses povos, foram decisivos para a organização espacial dos territórios da África Oriental, fatos que produzem reflexos atuais na cultura e na religiosidade dos Estados africanos atuais.

ANTIGOS IMPÉRIOS AFRICANOS

Na apresentação das grandes civilizações africanas, em 1000 a.C., povos semitas da Arábia emigram para a atual Etiópia. Depois, em 715 a.C. o Rei de Cush, funda no Egito a 25a dinastia. Em 533 a.C. transfere sua capital de Napata para Meroé, onde, cerca de cinqüenta anos depois, já se encontra uma metalurgia do ferro, altamente desenvolvida. Por volta do ano 100 a.C. desabrocha, na Etiópia, o Reino de Axum. O tempo que se passou até a chegada dos árabes à África Ocidental foi, durante muitos séculos, considerado um tempo obscuro, face à absoluta ausência de relatos escritos, que só apareceram nos séculos XVI e XVII, com o “Tarik-Al-Fattah” e o “Tarik-Es-Sudam”, redigidos, respectivamente, por Muhammad Kati e Abderrahman As Saadi, ambos nascidos em Tombuctu. Mas o trabalho de arqueólogos do século XX, aliado aos relatos da tradição oral, conseguiu resgatar boa parte desse passado. O mais antigo desses reinos foi o da Etiópia. Entre os séculos III e VII, a Etiópia teve como vizinhos outros reinos cristãos: o Egito e a Núbia, contudo, com a expansão do islamismo essas duas últimas regiões caíram sob o domínio árabe e a Etiópia persistiu como único grande reino cristão da África. Antes do efetivo início do processo de islamização do continente africano, a África Ocidental vai conhecer um padrão de desenvolvimento bastante alto. E, os antigos Estados de Gana, do Mali, do Songai, do Iorubá e Benin, são excelentes exemplos de pujança das civilizações pré-islâmicas.


Império do Gana
O Antigo Império Gana teve seu apogeu entre os anos 700 e 1200 d.C. Acredita-se que o florescimento desse império remonte ao século IV. Fundado por povos berberes, segundo uns, e por outros, por negros mandeus, mandês ou mandingas, do grupo soninkê. O antigo nome desse império era Uagadu, que ocupava uma área tão vasta quanto à da moderna Nigéria e, incluía os territórios que hoje constituem o Mali ocidental e o sudeste da Mauritânia. Kumbi Saleh foi uma das suas últimas capitais. Segundo relatos históricos, o Antigo Império de Gana era tão rico em ouro, que seu imperador, adepto da religião tradicional africana, tal como seus súditos, eram denominados “o senhor de ouro”. Com a concorrência de outras potências no comércio do ouro, o Antigo Império Gana começou a declinar. Até que, por volta de 1076 d.C., em nome de uma fé islâmica ortodoxa, os berberes da dinastia dos almorávidas, vindos do Magrebe, atacam e conquista Kumbi Saleh, capital do Império de Gana.
O atual Gana, que antigamente se chamava Costa de Ouro, deve o seu nome moderno ao de um antigo imperío que dominava a África Ocidental durante a Idade Média. O velho Gana ficava a muitos quilómetros mais para norte do actual, entre o deserto do Saara e os rios Níger e Senegal.O Gana foi provavelmente fundado durante os anos 300. Desde essa data até 770 os seus governantes constituíram a dinastia dos Magas, uma família berbere, apesar do povo ser constituído por negros das tribos Soninque. Em 770 os Magas foram derrubados pelos Soninques, e o império expandiu-se grandemente sob o domínio de Kaya Maghan Sisse, que foi rei cerca de 790.Nessa altura o Gana começou a adquirir uma reputação de ser uma terra de ouro. Atingiu o máximo da sua glória durante os anos 900 e atraiu a atenção dos Árabes. Depois de muitos anos de luta, a dinastia dos Almorávidas berberes subiu ao poder, embora não o tenha conservado durante muito tempo. O império entrou em declínio e em 1240 foi destruído pelo povo de Mali.Os soninkés habitavam a região ao sul do deserto do Saara. Este povo estava organizado em tribos que constituíam um grande império. Este império era comandado por reis conhecidos como caia-maga. Viviam da criação de animais, da agricultura e da pesca. Habitavam uma região com grandes reservas de ouro. Extraíam o ouro para trocar por outros produtos com os povos do deserto (bérberes). A região de Gana, tornou-se com o tempo, uma área de intenso comércio. Os habitantes do império deviam pagar impostos para a nobreza, que era formada pelo caia-maga, seus parentes e amigos. Um exército poderoso fazia a proteção das terras e do comércio que era praticado na região. Além de pagar impostos, as aldeias deviam contribuir com soldados e lavradores, que trabalhavam nas terras da nobreza.


O Império do Mali
Os fundados do Antigo Mali teriam sido caçadores reunidos em confrarias ligadas pelos mesmos ritos e celebrações da religião tradicional. O fervor com que praticavam a religião de seus ancestrais veio até bem depois do advento do Islã. Conquistando o que restara do Antigo Gana, em 1240, Sundiata Keita, expandiu seu império, que já era oficialmente muçulmano desde o século anterior. E, o Mali se torna legendário, principalmente sob o mansa (rei) Kanku Mussá, que, em 1324, empreendeu a peregrinação a Meca com a intenção evidente de maravilhar os soberanos árabes.O Antigo Império Gana teve seu apogeu entre os anos 700 e 1200 d.C. Acredita-se que o florescimento desse império remonte ao século IV. Fundado por povos berberes, segundo uns, e por outros, por negros mandeus, mandês ou mandingas, do grupo soninkê.
 O antigo nome desse império era Uagadu, que ocupava uma área tão vasta quanto à da moderna Nigéria e, incluía os territórios que hoje constituem o Mali ocidental e o sudeste da Mauritânia. Kumbi Saleh foi uma das suas últimas capitais. Segundo relatos históricos, o Antigo Império de Gana era tão rico em ouro, que seu imperador, adepto da religião tradicional africana, tal como seus súditos, eram denominados “o senhor de ouro”. Com a concorrência de outras potências no comércio do ouro, o Antigo Império Gana começou a declinar. Até que, por volta de 1076 d.C., em nome de uma fé islâmica ortodoxa, os berberes da dinastia dos almorávidas, vindos do Magrebe, atacam e conquista Kumbi Saleh, capital do Império de Gana.
No século XVI chegou a ser o mais importante entreposto comercial do império, mas os mesmos factores que causaram a decadência da «cidade irmã» – o comércio marítimo dos portugueses, a ocupação marroquina e, depois, francesa – acabaram por torná-la num insignificante centro agrícola dotado de magníficos exemplares de arquitectura islâmica.
Djenné foi igualmente um importante centro de peregrinação e cultura, atraindo peregrinos e estudantes de toda a África ocidental. Durante muito tempo foi uma verdadeira escola de juristas. Os seus monumentos, entre os quais se destaca uma Grande Mesquita que remonta ao século XIII, recorrem ao mesmo tipo de material e técnicas construtivas que os de Tombuctu. O que dá origem a problemas de conservação muito semelhantes.

Império Songai
A organização do Songai era mais elaborada ainda que a do Mali. O Império Songai teria suas origens num antepassado lendário, o gigante comilão Faran Makan Botê, do clã dos pescadores sorkôs. Por volta de 500 d.C., diz ainda a tradição, que guerreiros berberes, chefiados por Diá Aliamen teriam chegado à curva norte do Níger, tomando o poder dos sorkôs. A partir daí, a dinastia dos Diá reina em Kukya, uma ilha perto do Níger, até 1009, quando o reino se converte oficialmente ao islamismo e transfere a capital para Goa, onde a dinastia reina até 1335. Nesse ano, o povo songai se liberta do Antigo Mali, de quem se tornara vassalo em 1275 e, começa a conquistar as regiões vizinhas.
O Império Songhai, também conhecido como o Império Songhay foi um estado pré-colonial africano e grande civilização oriental, em Mali. Do início dos século XV até o final do século 16, Songhai foi um dos maiores impérios africanos da história. Este império tinha o mesmo nome de seu grupo étnico líder, os Songhai. Sua capital era a cidade de Gao, onde uma pequeno estado Songhai já existia desde o século XI. Sua base de poder era sobre a volta do rio Níger nos dias atuais Níger e Burkina Faso. Antes do Império Songhai, a região tinha sido dominada pelo Império Mali, uma das civilizações mais ricas da história do mundo. Mali tornou-se famoso devido à sua imensa riqueza obtida através do comércio com o mundo árabe, e os lendários hajj de Mansa Musa. No início do século XV, o Império do Mali começou a declinar. As disputas pela sucessão enfraqueceram a coroa e muitos afastaram-se. Os Songhai foram um deles, fazendo a cidade proeminente de Gao a sua nova capital.
A cidade do Songhai originou-se na região de Dendi, do noroeste de Nigéria e o rio expandido chega gradualmente de Níger, no século VIII. No ano 800, estabeleram uma cidade do mercado florescendo em Gao. Aceitaram o Islão em torno do ano 1000. Por diversos séculos, dominaram os estados adjacentes pequenos, quando foram controlados ao mesmo tempo pelo império poderoso de Mali ao oeste.


Império Kanem-Bornu
Outro grande Estado da África Negra, florescido por essa época, no norte da atual Nigéria, foi Kanem-Bornu, em torno do ano 800 d.C. As cidades-estados haussás, situadas entre o Níger e o Chade que se encontram em uma grande encruzilhada. Constituíram-se por volta do século XII, em redor das vias comerciais que ligavam Trípolis e o Egito à floresta tropical, por um lado, e, por outro lado, o Níger ao alto vale do Nilo pelo Darfur. Os haussás ou a classe dirigente são negros que habitavam muito mais ao norte e a leste do que hoje. Junto com o Mali e o Songai, um dos mais vastos impérios dos grandes séculos africanos foi o Kanem-Bornu. A sua influência, no seu período de maior esplendor, estendia-se da Tripolitânia e do Egito até ao Norte dos Camarões atuais e do Níger ao Nilo. Nas origens do Kanem encontra-se a conjunção dos nômades e dos sedentários.
Império Iorubá
A sudeste da atual Nigéria constituíra-se o poderoso e dinâmico grupo Ibo. Possuía uma estrutura ultrademocrática que favorecia a iniciativa individual. A unidade sociopolítica era a aldeia. No sudoeste, desenvolveram-se os principados iorubás e aparentados, entre os séculos VI e XI. As suas origens, mergulhadas na mitologia dos deuses e semideuses, não nos fornecem, do ponto de vista cronológico, informações suficientes. O grande passado de todos estes príncipes é Odudua. Seria ele próprio filho de Olodumaré, que para muitos seria o Nimrod de que fala a Bíblia, ou segundo a piedosa tradição islâmica, de Lamurudu, rei de Meca. O seu filho Okanbi, teria tido sete filhos que vieram a ser todos “cabeças coroadas”, a reinar em Owu, Sabé, Popo. Benin, Olé, Ketu e Oyó. Por volta do século XII, Ifé era uma cidade-estado cujo soberano o Oni, era reconhecido como chefe religioso pelas outras cidades iorubás. É que Ifé, fora o lugar a partir de onde as terras se teriam espalhado sobre as águas originais para, segundo a tradição, fazerem nascer o mundo. Os iorubás foram expulsos da antiga Oyó pelos Nupês (Tapas) estabelecendo-se no que é a Oyó de hoje.
A partir do século XVI o poder da cidade-Estado de Oyó cresce até unificar toda as cidades-Estado ioruba. O alafin (rei de Oió) exerce a soberania temporal dos iorubas e também começa a questionar a legitimidade de Ifé, deificando Xangô, antigo rei oioano, como divindade principal.No século XVII o Império de Oyó dominará grande parte da Nigéria, incluindo o Reino de Daomé. A civilização dos iorubas alcançou grande prosperidade, notavelmente em relação à vida urbana. Censos iorubas de 1850 revelam 10 cidades com mais de 100 mil habitantes.


O Império de Oyo Yoruba (c. 1400 - 1835) foi um império da África Ocidental onde é hoje a Nigéria ocidental. O império foi criado pelos Yoruba, no século XV e cresceu para se tornar um dos maiores estados do Oeste africano encontradas pelos exploradores coloniais. Aumentou a vantagem riqueza adquirida através do comércio e de sua posse de uma poderosa cavalaria. O império de Oyo foi o estado mais importante politicamente na região de meados século XVII ao final do século XVIII, dominando não só outras monarquias Yoruba nos dias atuais Nigéria, República do Benim, e Togo, mas também outras monarquias africanas, sendo a mais notável o reino Fon do Dahomey localizado no que é hoje a República do Benim).


Império do Benin 
Famoso por sua arte, o Benin, situado à sudeste de Ifé, foi fundado, segundo a tradição, também por Oranian, pai de Xangô, sendo então, intimamente aparentado com Oyó e Ifé. A primeira dinastia a reinar teve, segundo mitos, primeiro doze Obas (reis) e terminou por uma revolta, quando se constituiu em reino. Seu apogeu ocorreu no século XIV, com a capital Edo, que perdura até hoje. A cultura nagô, evidenciada nesta pesquisa, tem procedência no grupo dos escravos sudaneses do império iorubá, acima citado, em suas origens.Na verdade a denominação “nagô” foi dada, no Brasil, a língua iorubá que foi, na Bahia, a “língua geral” dos escravos, tendo dominado as línguas faladas pelos escravos de outras nações. O iorubá compreende vários subgrupos e dialetos, entre os quais o Egbá, que inclui o grupo Ketu e Ijexá, das tribos do mesmo nome, cujos rituais foram adotados, principalmente o Ketu, pelos candomblés mais conservadores. Do ewe “anago”, nome dado pelos daomeanos aos povos que falavam o iorubá, tanto na Nigéria como no Daomé (atual Benin), Togo e arredores, e que os franceses chamavam apenas nagô.
O reino possuí uma origem mítica: teria sido fundado por Oranian, um ioruba. A sede é a cidade de Ubini.No século XVI é proibido a escravidão masculina, numa política de estímulo demográfico. O oba mantinha o monopólio na produção e circulação do marfim e da Pimenta.
O território onde o Benim se localiza era ocupado no período pré-colonial por pequenas monarquias tribais, das quais a mais poderosa foi a do reinado Fon de Daomé. A partir do século XVII, os portugueses estabelecem entrepostos no litoral, conhecido então como Costa dos Escravos. Os negros capturados são vendidos no Brasil e no Caribe. No século XIX, a França, em campanha para abolir o comércio de escravos, entra em guerra com reinos locais. Em 1892, o reinado Fon é subjugado e o país torna-se protetorado francês, com o nome de Daomé. Em 1904 integra-se à África Ocidental Francesa. O domínio colonial encerra-se em 1960, quando Daomé torna-se independente, tendo Hubert Maga como primeiro presidente. A partir de 1963, o país mergulha na instabilidade política,com seis sucessivos golpes militares.
Em 1972, um grupo de oficiais subalternos toma o poder e institui um regime esquerdista, liderado pelo major Mathieu Kérékou, que governa até 1990. Kérékou nacionaliza companhias estrangeiras, estatiza empresas privadas de grande porte e cria programas populares de saúde e educação. A doutrina oficial do Estado é o marxismo-leninismo, mas a agricultura e o comércio permanecem em mãos privadas. Em 1975, o país passa a designar-se Benim. O regime político entra em crise na década de 1980, e o governo recorre a empréstimos estrangeiros. Uma onda de protestos, em 1989, leva Kérékou a promover uma abertura política e econômica. Com a instituição do pluripartidarismo, surgem mais de 50 partidos. Nicéphore Soglo, chefe do governo de transição formado em 1990, é eleito presidente em 1991.