segunda-feira, 12 de novembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Sexta-feira, 13 de setembro de 1957: o dia que abalou Alagoas e o país
Há exatos 55 anos, no início da tarde do dia 13 de setembro de 1957, uma sexta-feira, um grupo de deputados chegou ao prédio da Assembleia Legislativa de Alagoas com uma peça de vestuário muito pouco adequada ao clima da cidade nessa época do ano. Num calor de 38º, os parlamentares estavam usando pesadas capas de chuva, sob as
Há exatos 55 anos, no início da tarde do dia 13 de setembro de 1957, uma sexta-feira, um grupo de deputados chegou ao prédio da Assembleia Legislativa de Alagoas com uma peça de vestuário muito pouco adequada ao clima da cidade nessa época do ano. Num calor de 38º, os parlamentares estavam usando pesadas capas de chuva, sob as
quais tentavam ocultar metralhadoras. Mal entraram no plenário, sem dizer uma palavra, abriram fogo a esmo, provocando a reação de deputados que já estavam entrincheirados no local. O intenso tiroteio durou cerca de 40 minutos e deixou um deputado morto e várias pessoas feridas, entre elas um jornalista carioca e um servidor da casa. O motivo do bangue-bangue: a votação do pedido de impeachment do governador Sebastião Marinho Muniz Falcão.
Dos 35 deputados estaduais, 22 estavam contra o governador. No dia da votação do impeachment, o próprio Muniz Falcão teria pedido que sua bancada não comparecesse à sessão, entretanto, o deputado Humberto Mendes (PTN), seu sogro e líder do governo, discordava dessa posição.
Segundo relato de jornais da época, Mendes e os deputados Claudionor Lima e Abraão Moura decidiram ir à Assembleia dispostos a “matar ou morrer” e não atenderem nem mesmo aos apelos do arcebispo de Maceió, D. Adelmo Machado, para que fossem desarmados. Portando metralhadoras, os três rumaram para a Praça D. Pedro II e, agitados, condenavam os golpistas, sob aplausos da multidão que se aglomerava no local em apoio ao governador.
Os deputados oposicionistas também estavam preparados para o confronto. O boato que corria na cidade era que Humberto Mendes havia encomendado 22 caixões para o enterro coletivo da bancada. Por precaução, foram montadas barricadas com sacos de areia para proteger a Mesa Diretora.
O jornalista carioca Márcio Moreira Alves, enviado a Alagoas como correspondente do jornal Correio da Manhã para cobrir a crise política, relatou assim o que aconteceu naquele dia:
“Cheguei às 6 da manhã de hoje, acompanhando o presidente da UDN. Imediatamente saímos a tomar contato com o ambiente político de Maceió, onde se vivia momentos de expectativa. Reuniões se sucederam entre os líderes udenistas na casa do deputado Mário Guimarães, presidente da UDN local. O Palácio do Governo estava vazio de povo e cheio de homens armados. O governador movimentou a cidade durante toda a manhã. A partir do meio dia passou a receber em Palácio. Às 15 horas a Polícia Estadual formou em frente ao edifício da Assembleia. Os deputados da oposição se encontravam no recinto. Às 15,10 horas, deputados situacionistas liderados pelo deputado Claudionor Lima, subiram a escadaria vestidos de capas, sob as quais portavam metralhadoras. Penetraram imediatamente no recinto. Nenhuma palavra chegou a ser trocada. Os deputados da situação abriram fogo imediatamente a esmo. Vários feridos. Impossível dizer número, pois figuro entre eles. De relance vi um deputado de terno escuro, de óculos, empunhando metralhadora sob a capa, que me afirmaram ser Claudionor Lima. Vi o fogo da metralhadora, senti dor na perna e caí. Durante uma hora, juntamente com outros 4 feridos, abriguei-me atrás de 3 sacos de areia destinados a proteger a taquigrafia. Esperei socorro. As ambulâncias tiveram dificuldades em atravessar o cerca de cangaceiros, que ameaçavam o corpo médico com metralhadoras. Removido para o Pronto Socorro, foi diagnosticada fratura do fêmur. Meu estado geral bom. Reportagem encerrada. Marcio Alves”.
Texto: Fábio Costa (jornalista)
Dos 35 deputados estaduais, 22 estavam contra o governador. No dia da votação do impeachment, o próprio Muniz Falcão teria pedido que sua bancada não comparecesse à sessão, entretanto, o deputado Humberto Mendes (PTN), seu sogro e líder do governo, discordava dessa posição.
Segundo relato de jornais da época, Mendes e os deputados Claudionor Lima e Abraão Moura decidiram ir à Assembleia dispostos a “matar ou morrer” e não atenderem nem mesmo aos apelos do arcebispo de Maceió, D. Adelmo Machado, para que fossem desarmados. Portando metralhadoras, os três rumaram para a Praça D. Pedro II e, agitados, condenavam os golpistas, sob aplausos da multidão que se aglomerava no local em apoio ao governador.
Os deputados oposicionistas também estavam preparados para o confronto. O boato que corria na cidade era que Humberto Mendes havia encomendado 22 caixões para o enterro coletivo da bancada. Por precaução, foram montadas barricadas com sacos de areia para proteger a Mesa Diretora.
O jornalista carioca Márcio Moreira Alves, enviado a Alagoas como correspondente do jornal Correio da Manhã para cobrir a crise política, relatou assim o que aconteceu naquele dia:
“Cheguei às 6 da manhã de hoje, acompanhando o presidente da UDN. Imediatamente saímos a tomar contato com o ambiente político de Maceió, onde se vivia momentos de expectativa. Reuniões se sucederam entre os líderes udenistas na casa do deputado Mário Guimarães, presidente da UDN local. O Palácio do Governo estava vazio de povo e cheio de homens armados. O governador movimentou a cidade durante toda a manhã. A partir do meio dia passou a receber em Palácio. Às 15 horas a Polícia Estadual formou em frente ao edifício da Assembleia. Os deputados da oposição se encontravam no recinto. Às 15,10 horas, deputados situacionistas liderados pelo deputado Claudionor Lima, subiram a escadaria vestidos de capas, sob as quais portavam metralhadoras. Penetraram imediatamente no recinto. Nenhuma palavra chegou a ser trocada. Os deputados da situação abriram fogo imediatamente a esmo. Vários feridos. Impossível dizer número, pois figuro entre eles. De relance vi um deputado de terno escuro, de óculos, empunhando metralhadora sob a capa, que me afirmaram ser Claudionor Lima. Vi o fogo da metralhadora, senti dor na perna e caí. Durante uma hora, juntamente com outros 4 feridos, abriguei-me atrás de 3 sacos de areia destinados a proteger a taquigrafia. Esperei socorro. As ambulâncias tiveram dificuldades em atravessar o cerca de cangaceiros, que ameaçavam o corpo médico com metralhadoras. Removido para o Pronto Socorro, foi diagnosticada fratura do fêmur. Meu estado geral bom. Reportagem encerrada. Marcio Alves”.
Texto: Fábio Costa (jornalista)
sábado, 14 de julho de 2012
CAPOEIRA ANGOLA: Nossa Yoga em Movimento.
CAPOEIRA ANGOLA:
Nossa Yoga em Movimento.
“Das Matrizes Africanas à Arte Metafísica”
Tobias Barreto/Sergipe – BRASIL
Primavera de 2011
“Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu
princípio não tem método e seu fim é inconcebível aomais sábio dos mestres.”
Capoeira é Positiva.Capoeira é Negativa.
(Mestre Pastinha; 1889-1981)
A Bênção aos Mestres: Vicente Ferreira Pastinha, Bimba, Cobrinha Verde, Noronha, Waldemar da Liberdade, Aberê, Traira, Canjiquinha, Caiçara, Paulo dos Anjos, Gato, Curió, João Grande, João Pequeno, Primo, Ratinho, Morais, Ananias, Nó, Abelha, Bamba, Eusamor, Jogo de Dentro, Rogério, Alvinho Sucuri, Robson Abaô, Raimundo Dias, Lima, Kunta Kintê..., e Mestras: Elma, Janja, Jararaca... A Bênção aos professores: Jean Sarara e Marta Tainha... A bênção a todos os iniciantes, aos mestres que já partiram e aos mestres e guerreiros que se encontram lutando nesta grande caminhada de nossa terra mãe.
CAPOEIRA ANGOLA MINHA GENTE É CAPOEIRAGEM.É AUTO CONHECIMENTO.É ABISSAL. É dendê, é temporalidade, é ancestralidade, é natureza pura, é chão, é igarapé, é oceano, é inicio, meio e infinito. Capoeira Angola é para a vida. É arte terapêutica do sentir-se bem.
Esta arte busca trabalhar o self, o corpo, a alma. Seu objetivo é a essência humana. Capoeira Angola se apresenta como rara experiência, profunda, dos sentimentos humanos. Nela, são sempre descobertas novas, contínuas, próprias, para cada um que vem a praticar esta manifestação cultural e artística. Seus efeitos são muito fortes; mexe e vibra o corpo todo partindo do jogo dos movimentos e principalmente de sua musicalidade e canto, que vai moldando o sujeito comedidamente, pois a música faz demasiadamente bem à vida e a todos. “A música é a hierarquização de todas as artes”. Disse o filósofo SHOPENHAUER. Na capoeira encontramos esta simultaneidade de várias melodias dispostas harmonicamente. Num dado momento ela se revela uma polifonia e em outro se mostra numa onomatopéia.
Compreende-se que a capoeira veio de longe, das gêneses do povo negro, de lutas tribais de matrizes africanas, dos xirês, quilombos, senzalas, matas, mocambos, aldeias, maltas, terreiros, barracões, portos, fundos de quintais, ruas, becos e ladeiras, dos valentões, guerreiros, gladiadores e muitos lutadores de grande coragem e defensores dos seus próprios direitos, preservando dessa forma suas identidades, sua natureza e ancestralidades, consciente ou inconscientemente.
Na roda de capoeira existem os encontros e desencontros, entradas e saídas, jogo de dentro e jogo de fora; capoeira na verdade é volta ao mundo, é dobrar da esquina, um berimbau bem tocado, uma ladainha bem chorada, é cabeçada, é rasteira, é um desequilíbrio para um equilibro , é chamada para uma possibilidade de recomeço, é linguagem corporal e verbal.
Para alguns ela é incognoscível, para outros, transcendência, pluralidade e transformação cabal. Vista de perto, esta arte-luta-jogo para um homem distraído não passa de um mosaico tosco, porém para um menino de cosmovisão, ver este mesmo mosaico à distância é percebê-lo como a mais bela arte e mais profunda descoberta de sua própria estética. Nunca é demais ressaltar que esta arte representa toda uma historicidade e ancestralidade, vivência da resistência de um povo, luta, pura essência de liberdade. A sua forma tem a concepção profunda do belo e acena para além da realidade; apela para que o homem, a criança e a mulher mantenham-se sempre em contato com suas origens, energias e com a terra que pisam. Abraçando e celebrando a vida, uma fonte eterna de renovação sem perder seus passos e suas riquezas sempre canalizados com as tradições e fundamentos.
Capoeira Angola não pode ser só vista ou praticada como uma repetição de movimentos estereotipados, pantomimas e sistematização de golpes performáticos, nem essencialmente divisão de cores grupais e temporalidade. Convém ter-se em conta que este jogo belíssimo tem raízes de baobá, tudo foi e ainda é africanidade e não uma reafricanização, pois suas oralidades e tradições se perpetuaram ao longo do tempo.
É importante ter-se em conta a peculiaridade dessa pura dança metafísica. Em uma hora voando, noutras interiorizando-se no coração mesmo da terra, corpo e alma, pura simbiose; passos suaves, que vão plasmando os sujeitos no decorrer da caminhada pela vida. O capoeirista vivência experiências transcendentais. Através dos movimentos busca meios para estabelecer elos entre mundos, aparentemente, antagônicos: o inteligível com o mundo sensível, o equilíbrio e o barravento, a magia e a realidade, a casualidade e espacialidade, o finito com o infinito.
Capoeira Angola é jogo absolutamente metafísico acontecendo na realidade física. Neste contexto, este ritual corpóreo vem unir os sentidos e instintos, emoção e razão, meditação e reflexão, iniciação e passagem, liberdade e justiça; simbologia e ritualismo tudo com uma só finalidade essencial para seu praticante: sentir a vida, sentir-se bem, sentir o seu eu, a terra e o universo.
Muitos são encontrados na capoeira angola, mas será que realmente são dela? Muitos jogam capoeira angola, mas será que a sentem? Vivenciam a capoeira angola? Alguns cantam, tocam e batem o peito e exclamam: Pastinha, Pastinha, Pastinha, contudo vivem longe dos passos, ensinamentos, mandamentos e pensamento do velho e sábio mestre. Entrar na roda é para todos, vivê-la, senti-la e pensá-la é para poucos. Todos são alunos da roda da vida, mas poucos serão seus discípulos. Pensar dói, pois pensar é mergulho, encontro e desencontro, rupturas, retrocessos, reviravoltas e recomeço consigo mesmo. Disse C. Jung: “aquele que olha para fora sonha, aquele que olha para dentro acorda”. Não basta só jogar capoeira, tocar, cantar, dançar. É necessário vivenciar e sentir abissalmente, dia a dia, essa transformação; essa construção é uma renovação a cada dobrada nas esquinas da vida.
Capoeira Angola compõe uma terapia. É vida em movimento de energias corporais e quando o corpo está neste movimento é uma forma de comunicação com o mundo, com os outros e com o cosmo. ”E o nosso corpo é a nossa casa, é o alicerce da nossa identidade” (LOWEN).
É, meus camaradas! Capoeira Angola é um rio profundo, e rio profundo corre em silêncio. Capoeira angola não é um jogo qualquer, banal, espetacularização sem sentido. Não é um sal na minhoca. Sem dúvida que esta arte, tem sua árvore genealógica na África e suas raízes profundas com o mestre Pastinha. Definitivamente na roda de capoeira angola todos tem um pouco do filósofo místico e sábio mestre Pastinha: “Capoeira é tudo que a boca come”. Realmente o mestre sabia da importância desta representação. Atribui-se a esta manifestação corpórea inigualável a grandeza de uma obra de arte, enraizada fundamentalmente em seu caráter ambíguo e que deixa ao olhar do espectador a decisão sobre o seu refinado significado. Capoeira angola é livre.
Quando capoeiristas estão no eixo da roda - portal energético - em sua espiral ou mesmo no pé do berimbau, eles ficam compenetrados, encantados, embriagados e confiantes, é estado de grande auto-realização, é momento impar, é hora de vadiar, negacear, mandingar. A finalidade deste momento crucial é única; todos os que tomam parte no jogo estão realmente condenados a serem livres, isso quer dizer que nenhum momento existe mais para sua alma- corpo-mente, portanto nada pode ser estabelecido, exceto aquilo que advém dos espíritos livres e de sua própria liberdade.
“Ninguém vira angoleiro. Nasce-se angoleiro”.
Mestre Beija-Flor
Tobias Barreto/Sergipe – BRASIL
Primavera de 2011
Vá na paz!
MESTRE BEIJA FLOR
Professor: Eraldo Gabriel.( Mestre de
Capoeira,Filósofo.Teologo(UFC/ICRE)
Pós Graduado em Educação Inclusiva(UECE)
Especialista em Ciência da Religião-ICRE-Fortaleza-CE
Especialista em Capoeira Inclusiva(SBCI) Educação Infantil
Presidente da Sociedade Brasileira de Capoeira Inclusiva .
Mestre do Grupo De Capoeira Negaça-SE.
Mestre de Honra do Grupo de Capoeira Axe Dende-Guaiuba-CE
mestrebeijaflor@hotmail.com
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Adeus ao nosso amigo Gustavo
É com muita tristeza que perdemos um camarada jovem, tranquilo, sempre obediente nos treinos e que nunca em todos esses anos que esteve junto com nossa família TRADIÇÃO, nunca o vimos criar problemas, envolvido em confusões ou qualquer coisa do gênero. Nós que fazemos a Associação Cultural Capoeira Tradição estamos de LUTO pela irreparável perda do nosso camarada Gustavo.
Temos a certeza de que você estar em paz e em um lugar muito especial. Vai com Deus camarada...
Temos a certeza de que você estar em paz e em um lugar muito especial. Vai com Deus camarada...
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Publicação sobre a Capoeira na Revista de História...
Publicação sobre a Capoeira na Revista de História...: A maior parte das publicações sobre a capoeira, encontramos em revistas voltadas diretamente para nós, capoeiristas. Hoje, vou postar uma pu...
Improviso, Inteligência e Capoeira
Associação de Capoeira Beira Mar: Improviso, Inteligência e Capoeira: Texto Escrito por Angelo Augusto Decanio Filho (Mestre Decânio) " A capoeira, pela sua própria natureza, é um jogo de inteligência.....
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